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As Eleições como você nunca viu
Dante Ixo e Juliano Gauche, vocalistas e compositores da banda Solana já tiveram uma experiência musical-eleitoral na cidade-natal de Ecoporanga/ES. Você confere o post de Dante, na íntegra, a seguir. O post original você encontrará no endereço diariodoovni.blogger.com.br/2003_11_02_archive.html.

Não tenho me disposto a escrever nos últimos três dias. A casa ficou de novo cheia e faltou espaço. Até meus minutos de silêncio na segunda furaram, esta semana.
Terça-feira que vem vamos fazer um show no "sacre couer", às nove da manhã. O som vai sair daqui às sete. Como é que eu vou acordar? Eu não sei. Mas vai ser legal. Esse show faz parte de uma idéia que nós temos e que surgiu paralelamente em nós, sob inspiração da experiência dos Simios- que deu muito certo-, e no Sérgio, que chegou depois e disse que queria fazer isso; sem que tivéssemos dito nada. O Murilo, o Bento e o Chico, sobre quem falei anteriormente, já fizeram uma apresentação lá, na época da escola. Tiveram que parar o show porque tocaram "vampiro doidão".
Parece que a banda se chamava "Slow and the Blues Makers". o "Slow" era o Bento. Até imagino. Aliás, eu me lembro de ter visto uma gravação em video desse show, há algum tempo... foi sim...! Um "clássico" do "Quem-são-esses-moleques-fazendo-esse-barulho-aí"...
No final da fita , eles estão ainda tocando, entra um cara no palco e para tudo. desliga o som e pronto. Eles nem tem tempo de entender... Já fizeram isso comigo e Gauche, também, lá em Joassuba...
Joassuba é um patrimônio de Ecoporanga; uma pequena vila com cerca de mil e quinhentos ou dois mil habitantes, na maioria pessoas bem humildes e simples, que trabalham nas plantações e com o trato do gado nas fazendas ao redor. Logo que nós começamos a tocar, conseguimos um contrato pra acompanhar um político nos comícios do interior do interior. Um vereador colocou à nossa disposição um carro velho( curiosamente, uma Brasília amarela! para os músicos e o equipamento) e assim entramos pelas estradas de chão a dentro tocando em lugares onde só havia um telefone por toda redondeza, e era público. Tomavamos banho depois dos shows na casa de alguém que conheciamos alí mesmo, geralmente alguma velhinha gente fina que conhecia o senhor que levava a sonorização, o diretor da única escola de segundo grau do município- hoje dirigida pela mãe do Gauche.Foram muitas histórias naqueles trinta dias de comícios. Minha gastrite, por exemplo, se manifestou pela primeira vez nessa época, e eu fiquei incapacitado de tocar em dois dos 22 shows marcados. Minha namorada na época era uma menina de Joassuba, e fomos pra almoçar lá,na casa dela, já que chegavamos, na maioria das vezes, bem antes, antes mesmo da montagem do palco, da qual participávamos até carregando as caixas de som. Os gravões não são fáceis de carregar... pois bem, nesse dia as coisas começaram muito bem. A avó da namorada fez uma galinha caipira que cheirava muito bem e espalhava o cheiro pela pequena casa de piso vermelho. Eu estava feliz da vida, me sentindo o "astro", naquele lugar que Deus esqueceu. De repente, um pouco antes de nos servirmos -estávamos na cozinha nos preparando para atacar a galinácea enquiabada- comecei a sentir um mal estar terrivel. Uma dor de barriga violenta me atacou e, constrangidíssimo, corri para o banheiro, que na maioria das casas do interior tem a porta saindo na cozinha (coisa que eu nunca entendi)... já imaginam? horrivel... Todo mundo alí na cozinha e eu naquela situação... quando saí do banheiro, ainda mais constrangido do que entrei, é claro,e enxugando o suor do rosto depois do esforço, não me esqueço a cara do Gauche e da minha namorada, que quase não conseguiam conter o riso, lembro das velhinhas, entre tentando me consolar e escarnecendo ao mesmo tempo... pra completar a avó da menina olha pra mim com cara de quem está com pena e diz: "-cê tá bem meu filho?"
Aí eles não aguentaram e se mataram de rir...
Foi engraçado. E bastante enrubescedor. Depois tocamos e durante um longuissimo solo de guitarra do Renatinho, nosso guitar man da época, atravessei pela multidão (nem tão "multi" assim, talvez seja melhor dizer "pouquidão") e sumi por cinco minutos, enquanto tomava uma agua no bar da outra esquina. Quando voltei ainda me sacanearam perguntando se eu tava preso no banheiro... esse episódio rendeu piadas por muitos anos depois de 97. O show terminou e uma mulher se aproximou de nós, dizendo que haveria uma festa mais tarde no colégio local e que o candidato havia nos "cedido" pra ela, como atração da festa.Oh, Oh... O público: Aqueles caras que começaram a estudar com dezesseis anos porque trabalhavam na roça e não tinham como ir a escola; com 25 anos e na sexta série. As estrelas da região são os famosos Fulano e seu Teclado. Deveria até escrever ao contrário, mas o Fulano é vaidoso; o Seu Teclado é quem faz quase todo o trabalho mas, como não sabe cantar, fica em desvantagem, o coitado... Queriam ouvir forró e enquanto montávamos o som já ouvíamos rumores tipo: "banda de rock?!" "é rock ´paulera` ou o que?" ou " toca um "dairestreites" pra nós aí"; falava em rock pensavam logo esse tipo de coisa.
Bem, no fim das contas tocamos uma música só ou duas e depois o violão começou a dar problema. Estávamos tocando Stand by me, eu lembro bem... Chegou a diretora e nos disse, ainda enquanto tocávamos, entre os estouros causados por um curto no "jack" do violão que não parava:

"- O pessoal não tá se agradando muito dessas músicas, não... Muito pesado, né... Cêis me desculpem, mas eles tão querendo que vocês parem, pra eu botar um forró... é mais animado, né?..."
Paramos, revoltados mais com o violão- que vivia dando problema-, do que com o fato de termos nos livrado daquela.
Foi o cara que nos "cedeu"; pra nós, não tocar era lucro. Algo fora dos planos e com poucas chances de sucesso
Ninguém tava entendendo nada mesmo... isso me faz lembrar a história da Antena 1... heim, Scherife,... não, não. Deixa pra lá.

A galinha caipira, também, estava ótima. E só isso já tinha valido o dia...
Uma experiência de cada vez, senão eu me perco.


Postado por Lucas Ribeiro às 23:27
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